Leitura Estratégica

As infinitas possibilidades do mercado livreiro na era digital

Com o avanço da tecnologia e a revolução na internet, novas formas de consumo de comunicação, estudo e pesquisa, apareceram. Mas, contrariando previsões, a especulação é que os formatos físico e digital dos livros devem conviver por bastante tempo ainda. Será?


No mês em que celebramos o Dia Nacional do Livro Didático, Rafael Saad, proprietário da rede editorial Capital das Letras, que conta com mais de 10 lojas espalhadas pelo Brasil, fala sobre a influência e as oportunidades que a revolução tecnológica pode trazer para o mercado livreiro e a educação no Brasil.

Com o avanço da tecnologia e a revolução na internet, novas formas de consumo de comunicação, estudo e pesquisa, apareceram. Mas, contrariando previsões, a especulação é que os formatos físico e digital dos livros devem conviver por bastante tempo ainda. Será?

A verdade é que o livro digital tem grandes vantagens, como por exemplo, o baixo custo e a forma de armazenamento. Já o livro físico, anteriormente indispensável nas escolas, corre o risco de se tornar obsoleto. O que pode impactar de forma bastante negativa, o mercado editorial no país.

Defensor das “smart cities”, Rafael acredita que o ideal é utilizar a tecnologia em favor da educação e do mercado editorial. Saad destacou ainda, acreditar que o sucateamento da educação no país, nada tem a ver com a revolução na internet, mas com a falta de interesse do governo em investir numa educação de qualidade. Acompanhe a entrevista.

A tecnologia tem avançado muito rapidamente. Toda a revolução na internet, impulsionou novas formas de consumo, de comunicação, trabalho, interação, estudo… Será q a tendência é sumir com os livros físicos? Os livros físicos têm dado espaço a livros em formato digital. Como você, empresário do ramo, acha que será nos próximos tempos?

RS: Não acredito no fim do livro impresso, mas na convivência pacífica entre conteúdos de diferentes formatos e na mudança de hábito dos leitores. Quem gosta de ler o fará sempre. O que percebo, com a experiência que adquiri ao longo do tempo, por ter a oportunidade de ouvir pessoalmente o consumidor final, é que quando se trata de uma leitura mais técnica, livros de consulta e para aplicação profissional (livros que no mercado editorial chamamos de CTP – técnicos, científicos e profissionais), a aderência ao formato digital é maior, pela facilidade de acessar conceitos e partes específicas do conteúdo com mais agilidade ou até integrá-los a outros produtos. Mas quando se trata de ficção, obras de interesse geral ou religiosas, a preferência é bem dividida, mas o livro em papel ainda é o preferido, por se tratarem de leituras de cabeceira, aqueles livros que a pessoa ainda deseja folhear, fazer destaques ou anotações manualmente, emprestar ou pegar emprestado. Não é incomum leitores em busca de livros impressos depois de já o terem lido em e-book.

Mas a discussão mais importante não é se o livro impresso será substituído ou não, quando e como. O grande desafio, especialmente no Brasil, é promover uma mudança cultural, para estimular o gosto pela leitura ainda na infância e formar cidadãos leitores, mais críticos e engajados socialmente.

 Você acredita que a tecnologia vai atrapalhar o mercado editorial ou ela veio para somar?

RS: A história da tecnologia confunde-se com a história e com a evolução da própria humanidade. Não há como ser prejudicial ou atrapalhar qualquer tipo de negócio.

Graças à tecnologia podemos conhecer um pouco mais sobre o comportamento do leitor. Diversos leitores digitais fornecem informações sobre hábitos de leitura, quais trechos de livros são mais destacados ou qual o percentual de livros lidos na íntegra. O acesso a esse tipo de informação seria quase impossível sem o uso da tecnologia.

Hoje, pela ausência de espaço físico nas livrarias ou mesmo nos depósitos de estoques das editoras, podemos recorrer à impressão de baixas tiragens a preços mais atrativos ou mesmo à impressão sob demanda, modalidade na qual um livro só é impresso depois que a compra é concluída.

Em países como Espanha, por exemplo, já há livrarias com impressoras capazes de imprimir na hora o livro desejado pelo leitor. Uma realidade somente possível por causa da evolução (ou revolução) tecnológica e uma tendência com forte potencial de chegar em breve ao nosso país.

É importante frisar que as livrarias são grandes vitrines e para alguns segmentos de mercado, como o jurídico, funcionam como bibliotecas. O leitor chega na loja com um tema de interesse, pesquisa tudo o que tem de novidade e sai de lá com alguns títulos com a certeza de que aquele conteúdo o atenderá. E além dos livros impressos, os e-books e audiobooks também podem ser comprados pelas lojas físicas. Mas é importante que o mercado livreiro se atualize, sendo mais que um espaço de compra de livro, mas de experiências marcantes, onde o consumidor se sinta em casa e possa degustar, lendo, ouvindo ou manuseando o conteúdo seja no livro físico seja na tela do tablet ou celular.

Você acredita que as escolas, as pessoas, os consumidores de livros serão beneficiados com todas as mudanças ou está sendo prejudicial?

RS: Sem dúvida os benefícios são gigantescos. Há mais agilidade e diversidade no acesso ao conteúdo e nas possibilidades de ser interagir com ele. O modo tradicional de leitura coexistirá com o digital por muito tempo. As novas gerações, nativas digitais, têm cada vez mais intimidade com a tecnologia, mas também gostam e compram livros. Cabe aos responsáveis pela educação de base (no caso as famílias e a escola) a oferta de todas as possibilidades de leitura. Toda criança é capaz de se maravilhar com os livros impressos e suas histórias que estimularão a imaginação e a criatividade além de poderem acessar conteúdos interativos. O importante é que os pais e professores estejam atentos para o uso saudável da tecnologia e que os conteúdos estejam adequados a cada faixa etária, seja impresso ou digital.

As crianças e jovens, assim como nós adultos, são encantados com a tecnologia. Mas há espaço para todos os modelos de interação com o conteúdo. Meu filho de 3 anos, por exemplo, nunca passou o dedo na página de um livro físico simulando uma mudança de tela como fazemos pelo celular. Ele vira a página normalmente. Mas na tela de um tablet ou de um celular, quando permitimos que ele mexa, ele sabe exatamente o que fazer. Isso porque, além de ele observar, e toda criança aprende também pela observação, oferecemos a ele, desde bebê, os livros como mais uma forma de brincar, se divertir, compartilhar bons momentos juntos, ouvir e contar histórias.

Em sua visão, quais as principais dificuldades encaradas pelos professores diante de todas essas mudanças?

RS: A dificuldade dos professores é acompanhar as evoluções tecnológicas, especialmente em locais onde não há estímulo à capacitação e atualização constante dos docentes. E quando falo em capacitação não é apenas dar a eles condições para manusearem dispositivos e softwares, mas principalmente em prepará-los para serem curadores de conteúdos e auxiliarem seus alunos a desenvolverem visão crítica e capacidade de selecionar informações de qualidade em época de fake news e em meio a uma avalanche de textos, vídeos e áudios disponíveis a todo instante nas redes sociais.

 Você acredita que dá para usar a tecnologia de forma favorável e melhorar a educação e a cultura no Brasil?

RS: Acredito 100%. E isso passa pelas respostas que dei às questões anteriores aliadas a ações da iniciativa pública e privada que priorizem a educação, o estímulo à leitura e o consumo cultural, dando espaço e voz às comunidades e à produção cultural local em primeiro lugar.

O sucateamento da educação no Brasil tem alguma ligação com essa revolução na internet?

RS: Para mim não há nenhuma ligação. O sucateamento da educação está diretamente ligado a falhas de gestão dos responsáveis pela educação, seja em nível municipal, estadual, distrital ou federal, ao uso das verbas que deveriam ser destinadas a essas melhorias para outros fins, à irresponsabilidade de alguns governantes.

Como conversamos acima, a tecnologia e a internet têm muito mais potencial para somar e contribuir. Mas é preciso capacitar os docentes, conscientizar as famílias e desenvolver cada vez mais o protagonismo social da população para que a educação receba o investimento e o valor que ela merece e que as tecnologias sejam utilizadas de forma saudável e inteligente.

Sobre o entrevistado

Rafael Saad, 38 anos, nascido em Formosa-GO, é empresário do ramo editorial, neto do memorável José Saad, três vezes prefeito da cidade e ex-senador, de quem herdou o gosto e o talento para a política, além da forte veia empreendedora.

Formou-se em Direito e desenvolveu sua carreira profissional em grandes corporações, entre elas Itaú Unibanco, onde ocupou importante cargo de gestão de relacionamento com o governo, e Thomson Reuters, multinacional com sede em Nova Iorque, na qual era representante da empresa junto aos principais órgãos do governo federal.

Como empresário, sempre se preocupou em contribuir para o crescimento do país e desenvolver as pessoas por meio da geração de empregos e promoção da cultura, missão que se concretizou como proprietário da RSAAD Gestão e da Editora e Livraria Capital das Letras, rede com 10 lojas espalhadas por Brasília, São Paulo e Paraná.

As infinitas possibilidades do mercado livreiro na era digital

Com o avanço da tecnologia e a revolução na internet, novas formas de consumo de comunicação, estudo e pesquisa, apareceram. Mas, contrariando previsões, a especulação é que os formatos físico e digital dos livros devem conviver por bastante tempo ainda. Será?


No mês em que celebramos o Dia Nacional do Livro Didático, Rafael Saad, proprietário da rede editorial Capital das Letras, que conta com mais de 10 lojas espalhadas pelo Brasil, fala sobre a influência e as oportunidades que a revolução tecnológica pode trazer para o mercado livreiro e a educação no Brasil.

Com o avanço da tecnologia e a revolução na internet, novas formas de consumo de comunicação, estudo e pesquisa, apareceram. Mas, contrariando previsões, a especulação é que os formatos físico e digital dos livros devem conviver por bastante tempo ainda. Será?

A verdade é que o livro digital tem grandes vantagens, como por exemplo, o baixo custo e a forma de armazenamento. Já o livro físico, anteriormente indispensável nas escolas, corre o risco de se tornar obsoleto. O que pode impactar de forma bastante negativa, o mercado editorial no país.

Defensor das “smart cities”, Rafael acredita que o ideal é utilizar a tecnologia em favor da educação e do mercado editorial. Saad destacou ainda, acreditar que o sucateamento da educação no país, nada tem a ver com a revolução na internet, mas com a falta de interesse do governo em investir numa educação de qualidade. Acompanhe a entrevista.

A tecnologia tem avançado muito rapidamente. Toda a revolução na internet, impulsionou novas formas de consumo, de comunicação, trabalho, interação, estudo… Será q a tendência é sumir com os livros físicos? Os livros físicos têm dado espaço a livros em formato digital. Como você, empresário do ramo, acha que será nos próximos tempos?

RS: Não acredito no fim do livro impresso, mas na convivência pacífica entre conteúdos de diferentes formatos e na mudança de hábito dos leitores. Quem gosta de ler o fará sempre. O que percebo, com a experiência que adquiri ao longo do tempo, por ter a oportunidade de ouvir pessoalmente o consumidor final, é que quando se trata de uma leitura mais técnica, livros de consulta e para aplicação profissional (livros que no mercado editorial chamamos de CTP – técnicos, científicos e profissionais), a aderência ao formato digital é maior, pela facilidade de acessar conceitos e partes específicas do conteúdo com mais agilidade ou até integrá-los a outros produtos. Mas quando se trata de ficção, obras de interesse geral ou religiosas, a preferência é bem dividida, mas o livro em papel ainda é o preferido, por se tratarem de leituras de cabeceira, aqueles livros que a pessoa ainda deseja folhear, fazer destaques ou anotações manualmente, emprestar ou pegar emprestado. Não é incomum leitores em busca de livros impressos depois de já o terem lido em e-book.

Mas a discussão mais importante não é se o livro impresso será substituído ou não, quando e como. O grande desafio, especialmente no Brasil, é promover uma mudança cultural, para estimular o gosto pela leitura ainda na infância e formar cidadãos leitores, mais críticos e engajados socialmente.

 Você acredita que a tecnologia vai atrapalhar o mercado editorial ou ela veio para somar?

RS: A história da tecnologia confunde-se com a história e com a evolução da própria humanidade. Não há como ser prejudicial ou atrapalhar qualquer tipo de negócio.

Graças à tecnologia podemos conhecer um pouco mais sobre o comportamento do leitor. Diversos leitores digitais fornecem informações sobre hábitos de leitura, quais trechos de livros são mais destacados ou qual o percentual de livros lidos na íntegra. O acesso a esse tipo de informação seria quase impossível sem o uso da tecnologia.

Hoje, pela ausência de espaço físico nas livrarias ou mesmo nos depósitos de estoques das editoras, podemos recorrer à impressão de baixas tiragens a preços mais atrativos ou mesmo à impressão sob demanda, modalidade na qual um livro só é impresso depois que a compra é concluída.

Em países como Espanha, por exemplo, já há livrarias com impressoras capazes de imprimir na hora o livro desejado pelo leitor. Uma realidade somente possível por causa da evolução (ou revolução) tecnológica e uma tendência com forte potencial de chegar em breve ao nosso país.

É importante frisar que as livrarias são grandes vitrines e para alguns segmentos de mercado, como o jurídico, funcionam como bibliotecas. O leitor chega na loja com um tema de interesse, pesquisa tudo o que tem de novidade e sai de lá com alguns títulos com a certeza de que aquele conteúdo o atenderá. E além dos livros impressos, os e-books e audiobooks também podem ser comprados pelas lojas físicas. Mas é importante que o mercado livreiro se atualize, sendo mais que um espaço de compra de livro, mas de experiências marcantes, onde o consumidor se sinta em casa e possa degustar, lendo, ouvindo ou manuseando o conteúdo seja no livro físico seja na tela do tablet ou celular.

Você acredita que as escolas, as pessoas, os consumidores de livros serão beneficiados com todas as mudanças ou está sendo prejudicial?

RS: Sem dúvida os benefícios são gigantescos. Há mais agilidade e diversidade no acesso ao conteúdo e nas possibilidades de ser interagir com ele. O modo tradicional de leitura coexistirá com o digital por muito tempo. As novas gerações, nativas digitais, têm cada vez mais intimidade com a tecnologia, mas também gostam e compram livros. Cabe aos responsáveis pela educação de base (no caso as famílias e a escola) a oferta de todas as possibilidades de leitura. Toda criança é capaz de se maravilhar com os livros impressos e suas histórias que estimularão a imaginação e a criatividade além de poderem acessar conteúdos interativos. O importante é que os pais e professores estejam atentos para o uso saudável da tecnologia e que os conteúdos estejam adequados a cada faixa etária, seja impresso ou digital.

As crianças e jovens, assim como nós adultos, são encantados com a tecnologia. Mas há espaço para todos os modelos de interação com o conteúdo. Meu filho de 3 anos, por exemplo, nunca passou o dedo na página de um livro físico simulando uma mudança de tela como fazemos pelo celular. Ele vira a página normalmente. Mas na tela de um tablet ou de um celular, quando permitimos que ele mexa, ele sabe exatamente o que fazer. Isso porque, além de ele observar, e toda criança aprende também pela observação, oferecemos a ele, desde bebê, os livros como mais uma forma de brincar, se divertir, compartilhar bons momentos juntos, ouvir e contar histórias.

Em sua visão, quais as principais dificuldades encaradas pelos professores diante de todas essas mudanças?

RS: A dificuldade dos professores é acompanhar as evoluções tecnológicas, especialmente em locais onde não há estímulo à capacitação e atualização constante dos docentes. E quando falo em capacitação não é apenas dar a eles condições para manusearem dispositivos e softwares, mas principalmente em prepará-los para serem curadores de conteúdos e auxiliarem seus alunos a desenvolverem visão crítica e capacidade de selecionar informações de qualidade em época de fake news e em meio a uma avalanche de textos, vídeos e áudios disponíveis a todo instante nas redes sociais.

 Você acredita que dá para usar a tecnologia de forma favorável e melhorar a educação e a cultura no Brasil?

RS: Acredito 100%. E isso passa pelas respostas que dei às questões anteriores aliadas a ações da iniciativa pública e privada que priorizem a educação, o estímulo à leitura e o consumo cultural, dando espaço e voz às comunidades e à produção cultural local em primeiro lugar.

O sucateamento da educação no Brasil tem alguma ligação com essa revolução na internet?

RS: Para mim não há nenhuma ligação. O sucateamento da educação está diretamente ligado a falhas de gestão dos responsáveis pela educação, seja em nível municipal, estadual, distrital ou federal, ao uso das verbas que deveriam ser destinadas a essas melhorias para outros fins, à irresponsabilidade de alguns governantes.

Como conversamos acima, a tecnologia e a internet têm muito mais potencial para somar e contribuir. Mas é preciso capacitar os docentes, conscientizar as famílias e desenvolver cada vez mais o protagonismo social da população para que a educação receba o investimento e o valor que ela merece e que as tecnologias sejam utilizadas de forma saudável e inteligente.

Sobre o entrevistado

Rafael Saad, 38 anos, nascido em Formosa-GO, é empresário do ramo editorial, neto do memorável José Saad, três vezes prefeito da cidade e ex-senador, de quem herdou o gosto e o talento para a política, além da forte veia empreendedora.

Formou-se em Direito e desenvolveu sua carreira profissional em grandes corporações, entre elas Itaú Unibanco, onde ocupou importante cargo de gestão de relacionamento com o governo, e Thomson Reuters, multinacional com sede em Nova Iorque, na qual era representante da empresa junto aos principais órgãos do governo federal.

Como empresário, sempre se preocupou em contribuir para o crescimento do país e desenvolver as pessoas por meio da geração de empregos e promoção da cultura, missão que se concretizou como proprietário da RSAAD Gestão e da Editora e Livraria Capital das Letras, rede com 10 lojas espalhadas por Brasília, São Paulo e Paraná.