O exercício da liderança a partir do posicionamento positivo

O exercício da liderança a partir do posicionamento positivo

O que um casal dançando, o mundo dos negócios e o pensamento positivo podem ter em comum? Descubra na coluna “Liderança Disruptiva”, do CEO do Instituto Manzi, João Solér

Publicado dia 1 de outubro de 2019

Sem que houvesse aviso algum, a sanfona começou a tocar uma melodia linda. Em segundos, já acompanhavam a zabumba e o triângulo. Pronto, temos um forró pé de serra dos melhores e o salão cheio de casais. Uma senhora levantou-se na mesa ao lado e cochichou no ouvido de um jovem casal que estava próximo. E minha atenção passou a acompanhar os três que rumaram para o centro do salão. A senhora voltou a cochichar algo para eles e retornou para sua mesa. O casal se posicionou e iniciou uma dança de primeira, daquelas que só com muito treino. A partir daí, tome forró! Num desses rodopios percebo que ambos eram cegos. Isso mesmo, o casal que se destacava no salão não enxergava patavina. Mas a felicidade e o ritmo do casal, contagiantes. Imediatamente passei a refletir sobre o que eu estava presenciando. Isso sim é o que eu chamo de posicionamento positivo. Aquele casal me deu uma lição. Eles não demonstravam ter medo de errar.

Sobrevivência é a grande missão atribuída ao cérebro. Então, se é esse o foco, dá para entender porque ele procura por problemas o tempo todo. Não há nenhuma mudança que seja bem-vinda. Ele é mestre em encontrar ameaças, mesmo quando o cenário mostra que pode haver boas recompensas. A dopamina, serotonina e ocitocina (considerados como a química da felicidade), são lentamente liberados. São lançados em pequenas poções, porque o cérebro não é projetado para criar a tal felicidade. Não da maneira que tanto gostaríamos.

O cérebro está preparado para aprender com a dor. A dor costuma nos tirar muita energia, assim, o cérebro pode evitar que ela ocorra no futuro. E mesmo que você consiga contornar uma dessas situações de dor, ele rapidamente já começa a jogar foco em outra que pode ocorrer. Esse ciclo de negatividade é cansativo. Nos torna chatos e previsíveis.

Mas o mundo exige um posicionamento diferente. Nesse sentido, somos forçados a travar uma dura batalha contra nosso cérebro. Ele quer sempre o mesmo, sempre o que funcionou no passado e torna-se resistente a mudanças. Já o mundo em que vivemos hoje pede por mudanças pois quer testar coisas diferentes.

No mundo das organizações, todos os dias somos convidados a implementar novidades. Se isso não acontecer, a organização começa a morrer. A competição é grande e os clientes correm para experimentar novidades. Não é mais um mundo onde se contenta em ter coisas, agora o que se pede é para vivenciar coisas. Vivenciar novidades e experiências, não nos dá tempo de possuir coisas. Dá muito trabalho, melhor apenas usufruir.

O mundo atual pede pessoas com posicionamento positivo. Aquelas com coragem de fazer o diferente e de testar novidades sem o medo de errar. E como diria Fernando Pessoa, errar tornou-se “…um passo de dança, onde o medo é uma escada, o sonho uma ponte e a procura, um encontro”.


João Solér

João Solér

Escritor da Coluna: Liderança Disruptiva

João Solér é CEO do Instituto Mazini, analista de sistemas, psicólogo, coach, mentor e especialista em mudanças comportamentais. Atua com lideranças das principais empresas privadas/governo de Brasília e São Paulo.