Liderança e a “mão invisível”

Liderança e a “mão invisível”

Tal como os preços de produtos são regulados conforme a necessidade (oferta/procura) pela “mão invisível” do mercado, os postos de líder em equipes têm se mostrado cíclicos; variando a partir das demandas da equipe. Veja o que João Solér tem a dizer sobre esse novo modelo de liderança

Publicado dia 5 de novembro de 2019

Segundo Adam Smith, autor do livro “A Riqueza das Nações”, se a economia fosse livre, sem intervenção alguma de órgãos externos ou do governo, ela regularia, de forma automática, os preços dos produtos. Smith denominou esse movimento de “mão invisível”.

Essa é a base da Teoria Econômica. Quando o mercado está escasso de um determinado produto e existe uma demanda muito grande, automaticamente o preço aumenta. Por outro lado, se a demanda é pequena e o produto sobra nas prateleiras, o preço tende a diminuir.

Quando se trata do tema “liderança”, percebo que a expectativa das organizações exponenciais é o uso de algo parecido com a “mão invisível” de Adam Smith. Os modelos ágeis de trabalho tem praticado uma liderança cíclica ou giratória, onde cada membro da equipe pode assumi-la num determinado momento da realização dos trabalhos.

Some a figura do líder oficial e que constantemente ocupa este posto. Surgem vários líderes para pequenos trechos do caminho da busca do resultado desejado.

Uma pesquisa da Gallup Organization (Exame de 28.04.06), revela que 84% dos funcionários brasileiros que pedem demissão é por causa do relacionamento com o gerente. Na pesquisa, esse resultado ocorre devido ao gerenciamento ineficiente de pessoas.

Num cenário de líderes oficiais, aqueles que constantemente ocupam o posto de líder, pois foi contratado para esse fim, as soluções são conhecidas: treinamento, coaching, mentoring, etc. Já para um cenário onde os líderes funcionam apenas durante um trecho do projeto, qual seria a solução?

Este artigo não defende a permanência do atual modelo de liderança. Pretende lançar uma reflexão a respeito dos novos modelos de liderança que estão surgindo. Muitas coisas interessantes e boas estão acontecendo, mas muitas alternativas devem ser pensadas para que os resultados sejam alcançados. Sobretudo porque alguns autores apontam para um apagão de líderes no mercado e isso, segundo Adam Smith, é um bom sinal de que os líderes podem ser ainda mais valorizados.


João Solér

João Solér

Escritor da Coluna: Liderança Disruptiva

João Solér é CEO do Instituto Mazini, analista de sistemas, psicólogo, coach, mentor e especialista em mudanças comportamentais. Atua com lideranças das principais empresas privadas/governo de Brasília e São Paulo.