A pandemia e a transformação do varejo

A pandemia e a transformação do varejo

O ex-diretor de Segurança Institucional do Banco do Brasil, José Eduardo Moreira Bergo, analisa as tendências e transformações no varejo que foram aceleradas com a pandemia da Covid-19

Publicado dia 29 de maio de 2020

*** Por José Eduardo Moreira Bergo

O momento pelo qual estamos passando certamente ficará marcado como um dos mais trágicos da nossa história, pela dimensão e traumas. Assim como outras catástrofes da humanidade, as mudanças decorrentes desta pandemia no nosso dia-a-dia também serão marcantes e revolucionárias.

O isolamento social, necessário neste momento, traz uma série de consequências econômicas e psicológicas, por exemplo. Uma muito perceptível está relacionada a mudanças na forma de consumir. Segundo dados da Elo Performance e Insights, o ramo de supermercado, por exemplo, apresentou no mês de abril, em comparação com a média dos meses anteriores, uma queda de 54% para 18% nas vendas com cartões em lojas físicas, enquanto que as vendas virtuais com o uso de cartões em supermercados tiveram um acréscimo de 90%.

Pessoas que nunca usaram aplicativos de compras passaram a usar, e com mais frequência. Isso aponta que as lojas físicas que se tornarão pontos de experimentação, com redução de pontos e de shopping center, uma tendência observada na meca do consumo, Estados Unidos. A comodidade e praticidade das compras on-line crescerão e deverão ser, cada vez mais, a principal opção de consumidores.

Essa perspectiva também trará um impacto importante na redução da circulação de dinheiro físico, principalmente pela ampliação do uso do pagamento instantâneo, também conhecido como PIX, algo similar ao usado na Índia e na China e que está sendo implantado no Brasil com a coordenação do Banco Central, e a possibilidade do uso de moedas virtuais, como em uso em alguns países como o Japão mas que carece ainda regulamentação no Brasil.

Acessoriamente, além da evolução dos aplicativos, dos novos meios de pagamentos e da infraestrutura de comunicação, é muito importante garantir segurança das transações financeiras e estabelecer uma cadeia logística eficiente, ou seja, entregar o que foi comprado com integridade e no menor prazo possível. Em fim, as transações financeiras virtuais não são mais uma tendência, mas sim uma realidade. Com a melhoria e correção de alguns pontos irá se constituir na principal forma de consumo da sociedade. Diferentemente de tragédias similares vividas do passado, ao menos no que diz respeito ao comércio, as pessoas não correm risco de escassez de bens, desabastecimento, e muitas empresas continuam operando graças ao avanço tecnológico relacionado ao varejo.

**  José Eduardo Moreira Bergo (na foto em destaque), consultor, foi diretor de Segurança Institucional do Banco do Brasil, é bacharel em Economia e possui MBA em Auditoria pela Fipecafi/USP e outro em Gestão Avançada de Negócios pela UFMT. Possui, também, os cursos de CEO Internacional pela FGV, IAG Master em Finanças pela PUC do Rio de Janeiro, Master em Negócios Bancários e Agente Financeiro pela Universidade de Alcalá – Espanha, e o Curso Superior de Inteligência Estratégica da Escola Superior de Guerra. Integrou os conselhos fiscais das empresas BBTS, BBTUR e EloPar, além de, na FEBRABAN, ter sido o Diretor da Comissão de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo e o Diretor Adjunto da Comissão de Prevenção à Fraude.